quarta-feira, 29 de junho de 2016

O dia que Jesus delatou José

José Lópes, da turma K
   Fazia um frio austral. Típico das noites invernais argentinas. A região era um pouco deserta, casas baixas esparsas, iluminação fraca e quase nenhum movimento, naquela madrugada. Silencio quase absoluto às 3 da madrugada.
   Jesus, apesar do frio, levantou mais uma vez. Havia perdido o sono. Algo o preocupava. Acendeu um cigarro, aproximou-se da janela com os vidros embaçados pelo pela temperatura morna da casa. Com as costas da mão limpou o vidro. A cena que viu no outro lado da rua estreita deixou-o extremamente apreensivo. Um homem, abria o porta malas de uma caminhonete e jogava grandes bolsas pretas por cima do muro do monastério Nossa Senhora De Fátima, onde viviam "las monjas enclausuradas", em um local cercado de muros altos e que sempre lhe despertou curiosidade, desde a infância.

   Sem entender a situação, soltou a cortina da janela lentamente, apagou o cigarro na soleira e ligou para a "guarda pretoriana", denunciando José.

   José, no caso, era José Lopes, secretário de Obras Públicas durante os 12 anos de governo de Néstor e Cristina Kirchner e homem de confiança do ex-ministro do Planejamento, Julio De Vido, outro prócer da quadrilha K.


   Há três quarteirões do local da chamada, um viatura da gendarmeria argentina recebia o aviso da central. Algo estranho acontecia nos arredores do monastério de "las monjas enclausuradas", em frente à casa de Jesús.

   Do aviso pelo rádio à chegada ao monastério foram quatro minutos. Quando dobraram a esquina, para acessar os fundos do monastério, os faróis flagraram a cena bizarra: José Lopes, atrapalhado, estava ocupado em lançar, por cima do muro, três das sete bolsas recheadas de dólares, euros, yenes e jóias. Ao todo, o botim continha mais de 9 milhões de dólares.

“São 160 maços de notas. Ainda estamos contando. Há dólares, euros, ienes e uma moeda do Qatar que não sabemos quanto vale. Quando a polícia chegou, López entrou em estado de choque. De início, tentou subornar os agentes. Como não conseguiu, disse à freira do local que estavam lhe roubando o dinheiro que ele planejava doar para o Monastério”, afirmava para rádios e TVs, Cristian Ritondo, secretário da Segurança da província de Buenos Aires, cercado pela imprensa que fazia a festa
     
   A notícia caiu como uma bomba naquela madrugada de Buenos Aires. De taxistas à funcionários do hotel onde me hospedava o comentário era um só. A prisão de José Lopes.


  José López é figurinha carimbada na imprensa argentina. Enfrenta vários processos na justiça, por corrupção e enriquecimento ilícito. 

   Na política também se destacou. Foi membro ativo como parlamentar no Parlasur. Era apadrinhado por Néstor Kirchner que o colocou como responsável pelas Obras Públicas em 25 de maio de 2003, primeiro dia de seu Governo. E ali Lópes se manteve, até 10 de dezembro de 2015, último dia do Governo de Cristina Kirchner. 
   Após a prisão de Lópes, a polícia entrou no monastério - "de las monjas enclausuradas" - e ao quebrarem um piso de concreto da igreja encontram mais um esconderijo da máfia K. Em Puerto Madero, outro apartamento servia de "cofre" dos ex-governistas. A quantidade de dinheiro vivo era tanta que a polícia avaliava o montante pesando maços de notas de 100 dólares. Ficaram horas pesando dinheiro.

   Parece que o bolivarianismo latino americano não tem limites para roubar. Aqui, no Brasil, a engenharia para roubar dos aposentados e pensionistas, criada pelo ex-ministro petista, Paulo Bernardo, é o mais novo capítulo desta sanha dilapidadora do patrimônio público.

segunda-feira, 27 de junho de 2016

A rapacidade da classe política brasileira

Por Eduardo Guerini
“Fazendo a contabilidade criativa
no emaranhado do orçamento estatal
e estabelecendo uma engenharia financeira
 para transferir o custo da crise para
 os setores sociais empobrecidos e endividados.
Na lógica do trampolim político para ascensão
 social via rapinagem da canalha política brasileira.”

   A deflagração de mais uma fase da Operação Lava Jato, com prisão de membros ilustres na “Republiqueta do Pixuleco”, uma burocracia partidária emitindo sinais inequívocos que o lema do Brasil não pode ser “Não Fale em Crise, Trabalhe”, deveria ser estabelecida uma nova insígnia “Roubo para o Progresso”, e, na constituição republicana brasileira, o ideário deveria ser “todos são iguais no roubo e inocentes perante a lei”.

   Fica evidente que todos os partidos políticos criaram uma competição sutil na “criptoeconomia” criando um mecanismo subterrâneo de financiamento público que alimenta o “interesse privado partidário”. É a sonegação de todos os princípios éticos em prol da rapacidade sem precedentes, transformando o ato de roubar cotidiano.

   Não sejamos ingênuos, somos todos cúmplices no precipício político e abismo econômico que o Brasil está metido! Em troca da “inclusão pelo consumo”, alimentado pelo crédito via "empréstimo consignado”, deixamos de controlar socialmente os abutres da canalha política, da direita para o centro, do centro para esquerda, no espectro político-partidário brasileiro. O que importava era a esperança de alçarmos a condição de País do Primeiro Mundo, com hábitos e cultura do consumo do centro do sistema capitalista.

   A primeira viagem de avião, o primeiro vinho – mesmo que argentino, para aquele sujeito acostumado ao “tinto de mesa” em garrafão, o carro novo financiado, a Minha Casa – Minha Vida, a Minha Casa Melhor com eletrodomésticos comprados a longo prazo nas Magazines Populares, as férias nos “States” ou na Europa, o primeiro cartão de crédito internacional, tudo era estimulado pelo marketing eleitoral dos programas partidários, num misto de hipertrofia da mentira sistêmica como afirma Daniel Kertzman (2016).

   Não adiantava denunciar que o Brasil sob o desígnio do pragmatismo político e ideológico com as trucagens dos marqueteiros estava naufragando. Todos eram tratados como hereges, profetas do caos, velhos do Restelo, pessimistas de plantão, golpistas e traidores da causa. No roteiro dessa novela tragicômica iniciada na transição democrática, em rotineiras alianças e coligações que permitiram a “rapinagem do erário público” se transformando na verdadeira distribuição de renda, limitado é lógico, para a nomenclatura burocrática-partidária, com suas excentricidades e hábitos conspícuos, tal como se expõe hoje enquanto uma fratura exposta da falta de decoro e ética na gestão da “res publicae” tupiniquim.

   A trucagem marqueteira converteu todos os partidos do sistema político brasileiro em pragmáticos e utilitaristas funcionais. A narrativa que passou da estabilidade econômica a inclusão social, e, finalmente, em segurança jurídica, se funde na espetacularização dos presidentes-fantoches e cidadãos idiotizados pelo simbolismo da democracia brasileira. Enquanto, Sarney era o coronel democrata do “Tudo pelo Social”, Collor era o “caçador dos marajás”, FHC entoava o mantra “esqueçam o que escrevi”, Lula bradava “eu sou a metamorfose ambulante”, Temer , em sua interinidade indica que seguirá a “democracia da eficiência”. O mundo político das convicções se transformou na lógica do mercado de votos e seus dividendos, com todo tipo de degeneração e corrupção.

   A rapacidade da canalha política brasileira criou um grande sistema de rapinagem do erário público, com utilização de uma sofisticada engenharia financeira e contabilidade criativa, lastreada por uma retórica polarizada que ludibriou uma geração, garantindo a ascensão de bandidos e ladrões travestidos de democratas e republicanos.

   Esse é o legado da herança maldita, fruto da simbiose entre petistas e tucanos, apoiados por pemedebistas, produzindo para o Brasil uma bandalheira que se faz no ato de roubar do Estado para enriquecer poucos e empobrecer a maioria, um conflito distributivo que aprofunda a desigualdade histórica e aumenta a concentração de renda permanentemente.

   
   Existirá desgraça pior para os brasileiros?

sexta-feira, 24 de junho de 2016

O "custo Brasil"

   Em uma chaleira elétrica que paguei R$ 90,99, na 1001, R$ 40,36 vai para o bolso do governo.

   Quando as pessoas falam que não entendem porque o preço "das coisas" está tão alto, aí está a resposta!

   O governo "eleito pelo povo" tunga o povo! Trabalhadores, comerciantes, empresários, aposentados...todos pagam o preço alto do tal "custo Brasil"!  

   De volta? O governo nos dá hospitais, escolas, estradas, segurança sucateadas que levam o povo mais pobre, em nome de quem governam, à miséria e ao total abandono!

   Vão se ferrar, bandidos! 

O cielo de William Fedrizzi


Na esquina da Vidal Ramos com a Deodoro, no centro de Florianópolis, o violoncelista porto-alegrense William Fedrizzi volta à Ilha de Santa Catarina aonde morou por 20 anos. 

Catarinense, Luciano Bilu, é um dos vencedores do Six String Theory


   Luciano Bilu, guitarrista Catarinense, é um dos vencedores no Six String Theory (2016) categoria Rock. Foi o quinto finalista entre milhares de inscritos de 49 países.
 
   Six String Theory é um dos maiores concurso de guitarra da atualidade e tem entre seus jurados nada mais nada menos que as "feras" Lee Ritnour, Joe Satriani, Joe Bonamassa, Pat Martino, John Scofield, Steve Lukather, Andy Summers, Sonny Landreth, Oz Noy, Guthrie Govan, Vince Gill e Brent Mason entre outros ícones mundiais da guitarra.

   Bilu lançou seu 3º álbum de rock instrumental - JUSTICE - em outubro do ano passado. 

   Vale conferir!

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Alivio Fiscal no Desajustado Caixa Estadual de Santa Catarina

Por Eduardo Guerini
“Tentando entender a fantasiosa
e propalada Tese de Santa Catarina,
que transfere os “papagaios” de Raimundo
Colombo para os próximos governantes
da Província Catarina Virginal”
   
   A divulgação do acordo das dívidas dos Estados com a União foi comemorado de maneira uníssona por todos os governadores que estavam com a “corda no pescoço”. A crença no crescimento econômico propalada de maneira fantasiosa pela ex-governanta do Planalto Central - Dilma Rousseff, enlaçou nosso estancieiro-mor – Raimundo Colombo. Um casamento de interesses que provocou ser um desastre para o Brasil e Santa Catarina, onde promessas nunca foram cumpridas.
   
   Desde que foi reeleito, o governador do Estado, com sua conversa mansa, falava o tempo todo em “Cuidar das Pessoas, Cuidar do Futuro”, naquele enredo de realismo fantástico característico de governos de miragens.  Porém, os “papagaios do Raimundito” não passam de um alívio no torniquete fiscal resultante da falta de planejamento realista diante da queda de arrecadação federal e estadual, fruto de uma depressão econômica profunda.

   Neste enredo fatídico, a “máquina reeleitoral” arquitetada engenhosamente pelo finado ex-governador e senador – Luiz Henrique da Silveira, continua drenando recursos públicos para manter os “despachantes políticos” nas microrregiões catarinenses. Na subserviência das alianças e coligações partidárias, o governador mantém o que ele outrora chamou de “cabidário de empregos” – as ADR’s – Agência de Desenvolvimento Regional.

   Diante de uma crise que se aprofundava, a gestão provinciana de Raimundito se esmerava em produzir propagandas para elevar a “autoestima” do povo catarinense, com slogans fabricados nos laboratórios do marqueteiro oficial e auxílio de uma mídia “chapa-branca” e comentaristas políticos servis, as propagandas eram vistosas – Crise? Que Crise? Um dos melhores Estados para se viver!!! (sic). Não bastasse o aparato governamental e a mídia local, o Poder Legislativo se comporta de maneira subserviente, em virtude da poli aliança que troca cargos por apoio incondicional, com as pérfidas rotações de assentos dos deputados estaduais e suplentes.  Em nenhum momento, uma crítica contundente a gestão Barriga Verde foi ventilada diante do descalabro no planejamento e crise fiscal de Santa Catarina, nem mesmo no caso das “pedaladas do estancieiro da Coxilha-Rica”, é o escamoteamento completo, tal como realizou Dilma Rousseff.  Numa clara analogia, Raimundo Colombo é nossa “Dilma de Calças”!!!

   Assim, o alívio imediato nas contas estaduais, com moratória de seis meses, e, retomada escalonada do pagamento da dívida nos próximos 24 meses (julho de 2016 a julho de 2018), mudança do indexador atual (IGP-DI + 6%) para IPCA+ 4%, alongamento em 20 anos, deixando de pagar algo em torno de R$ 2,1 bilhões. Porém, os ganhos temporários exigirão contrapartidas futuras que repercutirá no cotidiano dos precários serviços públicos ofertados – saúde, educação, segurança, saneamento, etc. Todo este enredo dos enforcados governantes atende um único objetivo – permitir uma sobrevida política dos atuais gestores olhando para o calendário eleitoral de 2018.

   Entre “pedaladas e papagaios”, nosso governador viu sua esdruxula proposta - “Tese de Santa Catarina” – intitulada por alguns “lacaios” da mídia local ser soterrada pelo garrote fiscal com contrapartidas exigidas pelo Governo Federal.  No futuro próximo, servidores públicos estaduais e cidadãos catarinenses sentirão os reflexos de tais exigências inomináveis.

   A hipótese mais plausível diante da Tese soterrada é única:  Santa Catarina continuará sob a batuta de coligações que alimentam a “circularidade das elites provincianas” elegendo rotineiramente um capataz na gestão de seus negócios, nem que para isso, tenha que quebrar o Estado mil vezes!!! Do princípio ao fim, os catarinenses são um povo pacato e trabalhador que não se furtará em pagar o ônus para viver “no Estado que mais cresce e que não para de gerar empregos, um dos melhores lugares para se viver”!!!



terça-feira, 21 de junho de 2016

Investigada, Ideli mantém sua boquinha na OEA

   Ex-ministra da presidente afastada Dilma Rousseff, a petista Ideli Salvatti continua vivendo a vida boa longe do Brasil: ela e o marido vivem um exílio dourado nos Estados Unidos. Ela na Organização dos Estados Americanos (OEA) e ele na Junta Interamericana de Defesa (JID), cujas sedes ficam em Washington. Ideli e o marido se mudaram para lá há mais de um ano, após a reeleição e antes do impeachment.

   Jefferson Figueiredo, marido de Ideli e músico de formação, ganha US$7,4 mil (cerca de R$ 25.300) por mês, desde abril de 2015.

Que crise?
Ideli foi nomeada para uma embromação chamada “Acesso a Direitos e Equidade” da OEA. Ela ganha US$11 mil (R$37,900) mensais.


Sem saudades
No governo Dilma, Ideli Salvati foi ministra da Pesca, das Relações Institucionais e até dos Direitos Humanos. Saiu-se mal nos três cargos.

Me erra
O Itamaraty saiu de fininho, disse que nada tem a ver com a nomeação da ex-ministra petista ou do seu marido: “O tema não é afeto ao MRE”.

Do Diario do Poder

Negociação da dívida: A vitória da gastança!


  A vitória do governador Raimundo Colombo ao conseguir a postergação da dívida dos estados com a União, teve um resultado que mais favoreceu ao próprio governador que ao estado de Santa Catarina.
   Segundo declarou Raimundo Colombo "com este acordo, Santa Catarina, poderá agora cumprir a lei de responsabilidade fiscal".
   Ufa! Que alívio!
   Ou seja, se não houvesse esse refresco temporário dado por Temer, possivelmente Raimundo Colombo estaria enquadrado em crime de Responsabilidade Fiscal.
   Apenas dois estados da federação não tem dívida com a União. Os outros 25 se esbaldaram na gastança surfando na maré boa da economia mundial. 
   Agora chegou a conta!
   O exemplo mais contundente desta farra com dinheiro público em SC foi a criação e manutenção de 36 secretarias regionais que, ao longo de 13 anos, queimaram cerca de R$ 3,5 bilhões do contribuinte catarinense.
   Obra do "gênio" peemedebista, Luiz Henrique da Silveira, as secretarias regionais surgiram para "reduzir as desigualdades regionais e evitar a litoralização". Na verdade, serviram apenas de cabide de empregos e trampolim político para seus correligionários. Exemplo disso é que, hoje, 15 gerentes regionais se desincompatibilizaram para concorrer às próximas eleições em outubro.
   A maior prova do fracasso das tão badaladas e caríssimas secretarias regionais foi dada no último dia 24 de maio, com o lançamento pomposo, pelo governador do estado, do Programa de Desenvolvimento e Redução das Desigualdades Regionais.
   Ou seja, a mesma história do Luiz Henrique da Silveira, não mudaram nem o objetivo do programa. O desenvolvimento regional continua zerado e a litoralização é cada vez maior.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Coisa de louco...

   por Marcos Bayer

   Imaginem uma corrida de fundo. Uma maratona épica de 42 km. Três corredores. Dois deles descalçados. O último, de toga, com tênis Nike a prova de solos precários. Na pista, vidros esfarelados!
   É óbvio que os dois corredores descalçados chegarão ao final da prova com os pés ensanguentados. Já o atleta calçado, terá algum inchaço e calos.
   Assim é o sistema judicial no Brasil. Advogados e promotores têm prazos. Correm em solo difícil. Advogados, compulsoriamente, sacrificam suas vidas, de suas famílias e são induzidos a vários processos para poderem bancar o orçamento doméstico.

   O promotor, nem tanto, pois tem salário fixo e vantajoso.
   Já o Juiz, este trabalha sem prazos. Julga quando quer!
   Neste sistema desigual por concepção, o advogado leva ferro, o promotor dá ferro e o Juiz?
    Só louco para ser advogado no Brasil. É um jogo de três, onde um obedece aos ditames de Kronos!
    O segundo, o promotor, fica na linha intermediária do gramado.
   E o juiz, obedece aos desejos de Kairós!
   Sérgio Moro é um exemplo para a Justiça brasileira. Trabalha com prazos que ele mesmo estabeleceu. Não posterga, adianta!
   Deveria ser ministro do STF – Supremo Tribunal Federal.
   Moro colocou o Brasil nas manchetes mundiais. Colocou o Congresso Nacional inteiro para trabalhar. De segunda-feira à domingo. Nunca se viu tanta correria nas duas Augustas Casas.
   Colocou o Executivo em saia justa. Muita gente na fila das explicações.
   E ao Judiciário, sutilmente, mandou um recado: “Trabalhem mais”!
   Muito mais!
   As leis são feitas no Legislativo. Óbvio!
   As leis têm espírito, o Espírito das Leis de Montesquieu?
   Para fazer leis é preciso ter um mandato legislativo, também!
   Para ter um mandato legislativo, se o cidadão desejá-lo e ocupar um cargo comissionado na estrutura pública, tem que respeitar a lei.
   Diz a lei: Peça exoneração para disputar a eleição. São três meses sem salário, neste caso.
   Logo, há que se buscar recurso material para a sobrevivência em algum lugar.
   Onde?
   Peça aos ricos e depois retribua em dobro?
   A lei, e seu espírito, neste caso, induzem à corrupção. Logo...
   O sistema político brasileiro faliu. Está podre. Todos nós sabemos disto!
   Menos a Lei deles...
   Coisa de louco?
   Com a palavra nossos ilustres congressistas.
   Ilustres?  



Conectado no baiano de Santo Amaro da Purificação:

Caetano Veloso em “Não enche”.

Me larga, não enche
Você não entende nada
E eu não vou te fazer entender...

Me encara, de frente
É que você nunca quis ver
Não vai querer, nem vai ver
Meu lado, meu jeito
O que eu herdei de minha gente
Eu nunca posso perder
Me larga, não enche
Me deixa viver, me deixa viver
Me deixa viver, me deixa viver...

Cuidado, oxente!
Está no meu querer
Poder fazer você desabar
Do salto, nem tente
Manter as coisas como estão
Porque não dá, não vai dá...

Quadrada! Demente!
A melodia do meu samba
Põe você no lugar
Me larga, não enche
Me deixa cantar, me deixa cantar
Me deixa cantar, me deixa cantar...

Eu vou
Clarificar
A minha voz
Gritando
Nada, mais de nós!
Mando meu bando anunciar
Vou me livrar de você...

Harpia! Aranha!
Sabedoria de rapina
E de enredar, de enredar
Perua! Piranha!
Minha energia é que
Mantém você suspensa no ar
Prá rua! Se manda!
Sai do meu sangue
Sanguessuga
Que só sabe sugar
Pirata! Malandra!
Me deixa gozar, me deixa gozar
Me deixa gozar, me deixa gozar...

Vagaba! Vampira!
O velho esquema desmorona
Desta vez prá valer
Tarada! Mesquinha!
Pensa que é a dona
E eu lhe pergunto
Quem lhe deu tanto axé?
À toa! Vadia!
Começa outra história
Aqui na luz deste dia "D"
Na boa, na minha
Eu vou viver dez
Eu vou viver cem
Eu vou viver mil...!

The End.

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Um dia de aniversário "por la calle"...


   Acordei cedo, embora a noite tenha se estendido até...bem tarde. 17 é o dia do meu aniversário. Gosto de fazer aniversário. Comemoro sempre. Tenho a impressão de que fazer aniversário é uma confirmação de que estamos vivos. 63 anos? e daí? isso não me assusta. 
   
   Outro dia escutei um cara falar para um amigo que não via há tempos: 
- tá ficando velho, cara!
   A resposta que recebeu me pareceu exata: 
- se envelheço é porque não morri jovem! 

   Acordei cedo em uma manhã maravilhosa de Buenos Aires. Dia de céu claro com sol e temperatura amena, por volta dos 14ºC. Abri a porta da sacada do meu quarto, no segundo piso do Park Silver, e dei de cara com uma movimentada 9 de julho e o imponente Obelisco à minha frente! Maravilha! Pensei...é hoje!

   Ri do pensamento "é hoje". O que seria hoje? Inconscientemente, acho, que seria hoje o dia mais legal da minha vida. O dia do meu aniversário ali na frente daquele cenário lindo, iluminado, vivo, com aroma de metrópole. É hoje!

   Banho, perfume, roupa quente e...rua! Comecei a bater perna por volta das 10 horas. Atravessei a 9 de julho pela Corrientes, e marchei em direção ao Puerto Madero. Mas só em direção, não cheguei lá.

   Parei no Teatro Gran Rex, comprei dois ingressos para o show dos Les Luthiers, esta noite. Os Luthiers, é um grupo argentino de humor que utiliza a música como elemento
Angel e Miguel mestres do som
fundamental das suas apresentações. Luthiers porque criam seus próprios instrumentos musicais a partir de materiais da vida cotidiana. Na noite anterior, quando passava na frente do Rex, encontrei dois amigos argentinos que fazem o som do espetáculo. Já fizeram Caetano e, em breve, Toquinho e Maria Creusa. Coisas da noite.

  
   Bem, continuei descendo a Corrientes até a Florida. Cambei à esquerda, pispei as lojas de couro, de roupas, fui até a galeria Pacífico, dei uma bandinha nel Ateneo e continuei Florida abaixo até o final na praça San Martin. Antes fotografei, pela enézima vez, a belíssima arquitetura do Clube Naval na esquina com a Córdoba. Um exemplar belíssimo da arquitetura francesa que domina essa região central da cidade.

   Contornei a exuberante naturaleza da San Martin e, agarrando a Santa Fé, caminhei até a 9 de Julho, na verdade Carlos Pelegrini. 
   - A 9 de julho é a do meio. De um lado temos a Carlos Pelegrini e de outro a Cerrito, onde fica o seu hotel, me ensinou Don Carlos, o motorista que me levou ao Cassino na noite ontem.
  
   Ainda na Santa Fé, parei em uma banca de jornais, onde, mãe e filha atendiam. Ao ver as capas de revistas e manchetes de jornais estampando la fachia de Cristina Kirchner, envolvida no escândalo dos 10 milhões de dólares, não resisti e falei: 
- Aqui está igual ao Brasil. Os ladrões estão nas capas dos jornais todos os dias. Era o sinal que faltava para que começassem a demonstrar as suas revoltas e decepções com o ex-governo bolivariano. A grita é geral, por aqui.


   Desci mais algumas boas quadras da Carlos Peregrini em direção a Avenida Libertadores. Cenário propício para apreciar uma Buenos Aires limpa, arborizada e movimentada por conta de um feriado municipal desta sexta-feira. 
   
   Já eram quase às 2 da tarde quando encontrei a avenida Possadas. Rua chic, com hotéis estrelados, restaurante finos e lojas de grife como Osklen e Salvatori Ferragamo. Caminhei até a Callao e...pronto! Cheguei ao destino planejado para o almoço do dia do meu aniversário: El Donjuanino, onde se servem as melhores empanadas, creio, da América Latina. Ambiente quente, aconchegante, pequeno...lotado. Após alguns minutos de espera, uma mesa para dois, vinho e muita empanada. Simples assim!

   Por volta das 4 horas levantei vôo novamente, desta vez em direção ao MALBA - Museu de Arte Latino Americano. O projeto era ousado, já que, até o Sanjuanino, havia caminhado 26 quadras argentinas. Mas era o dia do meu aniversário. Era hoje! O dia ensolarado, agora um pouco mais frio, convidava a uma caminhada. Eram cerda de 20 quadras até a grande avenida Figueroa Alcorta, que me levaria ao maravilhoso museu. 

   Andei, andei e valeu à pena! O Malba tem em seu acervo permanente uma rapsódia da arte latino-americana do século XX. Na exposição atual, 140 peças de autores americanos como Boteros, Diego Rivera, Frida Kahlo, Di Cavalcanti, Helio Oiticica, Berni, Jorge de La Vega entre outros.
  
   Mas o que me impressionou mais foi dar de cara com o Abapuru de Tarcila do Amaral. Obra expoente do modernismo brasileiro, comprada por US$ 1,5 milhões de dólares pelo colecionador argentino, Eduardo Costantini, idealizador do MALBE. A obra vale hoje cerca de US$ 25 milhões. A tela brasileira é uma das mais valorizadas do mundo.

   Bem, depois de toda essa andança gastro etílica cultural, nada mais me restou que não fosse voltar para o hotel de táxi. Colocar os pés de molho na água quente da banheira, tomar um La Linda (cabernet souvignon) e me prepara para o show dos Luthiers à noite. A noite promete! O aniversário está apenas começando!

   É hoje!

Prisão de colaborador de Cristina Kirchner, com milhões de dólares, domina noticiário argentino

       A notícia dominante neste momento na mídia televisiva de Buenos Aires é a prisão do José López, ex-secretário de Obras Públicas da Argentina dos governos de Néstor e Cristina Kirchner (2003-2015).  
  
   Lópes, foi preso terça-feira (14) às 3 da manhã, no momento em que lançava bolsas de dólares por cima do muro de um mosteiro da cidade de General Rodríguez, na província de Buenos Aires.

    Segundo a imprensa local, um vizinho do mosteiro viu a cena de um homem jogando as bolsas por cima do muro e ligou para o 911, emergência policial. Uma dupla de carabineiros, que estava a três quadras do mosteiro, atendeu ao chamado e em cinco minutos chegou ao local surpreendendo o larápio com cerca de 10 milhões de dólares.
Mosteiro seria lugar de reuniões secretas de grupos políticos kirchneristas

  O assunto domina a imprensa e as ruas da cidade. Dos taxistas com quem falei, todos são unânimes em afirmar que o dinheiro era de Cristina Kirchner. 
   A todo o momento rádios e TVs mostram depoimentos de artistas e famosos argentinos declarando publicamente as suas desilusões e revolta com a esquerda bolivariana que dominou a Argentina por 12 anos. 
   
   Bizarrices
   Na noite de ontem, a ex-presidente Cristina Kirchner, finalmente se manifestou sobre o assunto. Usando o facebook, em uma tentativa desesperada de distanciar-se do escândalo, Cristina afirma que "a culpa deve ser procurada entre os empresários, juizes, imprensa e dirigentes". E enseguida completa: "O dinheiro que o ing. Lópes tinha em seu poder, alguém deu a ele. E não fui eu. Nem nenhum dos milhares de militantes que integram esse espaço político".

  
   A líder das Mães da Praça de Maio, Hebe Bonafini surgiu na televisão, ontem, defendendo Cristina Kirchner, afirmando que José Lopes é um traidor infiltrado nas fileiras do peronismo. Em sua defesa dos Kirchner, Bonafini afirmou que José Lopes estava jogando dinheiro por cima de um muro apenas para incriminar Cristina Kirchner.


    Aqui, como aí no Brasil, a história é a mesma: a justiça chegando aos grandes ladrões que levaram o país à falência com um discurso de defesa do povo! Vários colaboradores do ex-governo kirchnerista, já estão na cadeia e fazendo delação premiada. 
 
   As manchetes de hoje (17), dos jornais da capital portenha, trazem o resultado de uma auditoria oficial do Governo, mostrando que, em 2015, o secrfetário de Cristina Kirchner, José Lopes, desapareceu com 13 milhões de dólares, dinheiro destinado a construção de casa populares.

   Igual ao ex-presidente brasileiro, Lula, Cristina sempre afirma que não sabia de nada. Aqui, na Argentina, como aí, não é caso de política, como querem os militantes desquerda, e sim caso de Polícia!!!

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Machado diz ter obtido R$ 1,7 milhão em doações ilegais para petistas

Ideli Salvatti
Nos depoimentos, Machado contou que Ideli Salvatti o procurou em 2010 e enviou seu chefe de gabinete para pedir doações para a campanha ao governo de Santa Catarina. Na época, ela era líder do governo no Senado e disse que estudava construir estaleiros em seu estado.
Machado disse que entrou em contato com a Camargo Corrêa, contratada pela Transpetro, e viabilizou doação oficial de R$ 500 mil para a petista.
Em nota, a ex-ministra Ideli Salvatti, do PT, diz que "não faz declarações a respeito de delações de réus confessos sem ter acesso ao texto".
Ela acrescena que "as doações à sua campanha eleitoral ao governo de Santa Catarina em 2010 foram declaradas e aprovadas pelos órgãos competentes, e que sua conduta pública é regida pelos princípios da ética, moral e legalidade".

Matéria completa no G1.

terça-feira, 14 de junho de 2016

As conexões brasileiras do “Senhor dos Anéis”

Conheça Sead Dizdarevic, o empresário croata que traz na bagagem histórias de corrupção e negócios lucrativos à sombra das Olimpíadas

Dizdarevic, proprietário da Jet Set Sports e da CoSport
por Lúcio de Castro

   O “Senhor dos Anéis” está chegando, cercado por histórias de corrupção, compra de votos e milionários negócios à sombra do mundo olímpico. Quem quiser saber como funciona o lado B das Olimpíadas, as conexões brasileiras, o esquema de venda de ingressos, ou entender a razão das dificuldades para conseguir um bom lugar para ver as competições, guarde bem este nome: Sead Dizdarevic.

   É o todo-poderoso que detém a chave das melhores relações com o Comitê Olímpico Internacional (COI) e com o Comitê Organizador Rio 2016 (CoRio); o dono da Jet Set Sports e da CoSport; personagem-chave por trás de um dos maiores negócios que envolvem o esporte brasileiro: a Tamoyo Internacional, que, detentora do monopólio da venda dos milionários pacotes de hospitalidade que negociam os combos de ingresso/hospedagem da Olimpíada no Brasil, foi a agência oficial do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) desde a ascensão de Carlos Arthur Nuzman à presidência até 2012, e parceira em contrato de passagens do CoRio, que tem o mesmo Nuzman na presidência. É a agência responsável pelas milionárias transações das vendas de passagens aéreas para boa parte das confederações esportivas nacionais, turbinadas por verba pública vinda das leis de incentivo e convênios com o Ministério do Esporte.

   Muitos dos nomes de pessoas físicas e jurídicas que você vai ler aqui como a parte da conexão nacional de Dizdarevic são personagens em comum de outro rumoroso enredo do esporte nacional, encontráveis no “Relatório de Auditoria 201407834” da Controladoria-Geral da União (CGU), que auditou a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV). São peças importantes da engrenagem mostrada na série de reportagens “Dossiê Vôlei”, que, publicada em 2014-2015 na ESPN, gerou a investigação da CGU.
Tamoyo Internacional Agência de Viagens, controlada por Dizdarevic, tem contrato com o CoRio, comandado por Carlos Arthur Nuzman, também presidente do COB (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

   A “trilha interna”
   Comecemos pelo topo. Sead Dizdarevic vai desembarcar por aqui discretamente e longe dos holofotes, como faz desde sua primeira visita ao Rio de Janeiro, em 2009, ano em que a cidade foi escolhida para ser sede olímpica dali a sete anos e em que começou o súbito interesse pelo Brasil desse croata naturalizado americano, 65 anos. De lá para cá, esteve aqui 13 vezes, geralmente a bordo de seu jato particular. A cada dois anos é assim: viaja várias vezes aos locais das Olimpíadas de inverno ou de verão. E sai com milhões de dólares a mais na conta – amparado nas relações locais, em cartolas e em comitês.

   A porta de entrada de Dizdarevic no mundo olímpico é uma típica história que comprova o ditado segundo o qual a ocasião faz o cidadão. A pequena agência de viagens com a qual tentava construir o sonho americano em Staten Island, condado mais esquecido de Nova York, atendia preferencialmente os compatriotas imigrantes da então Iugoslávia. A vitória de Sarajevo como local dos Jogos Olímpicos de Inverno de 1984 foi o salto. Com um pé nos Estados Unidos e a raiz na terra natal, movia-se com desenvoltura entre os dois mundos, abrindo caminho para conquistar um terceiro muito maior e com possibilidades infinitas: o universo olímpico. Era 1984, antes da queda do Muro, com uma Cortina de Ferro burocrática separando os eventuais visitantes. Foi nessa fresta que Dizdarevic conquistou seus primeiros punhados de dólares, sendo a ponte entre esse turista olímpico e o outro lado da Cortina. Oferecer hospedagem, ingressos, desenrolar burocracias, ligar as partes, estava tudo no seu pacote.

   Leia reportagem completa na Pública.