sexta-feira, 7 de julho de 2017

Escândalo do BADESC - parte II

Oito empresas, dez empréstimos, falhas nos processos e prejuízo milionário

Conheça os detalhes das dez operações que causaram inadimplência de mais de R$ 340 milhões ao Badesc. Luminar, Teka, Mannes, Comercial de Alimentos Poffo,Supermercados Vitória, Saibrita Mineração e Construção, Têxtil Renaux e Frigorífico Forte Sull são as oito empresas beneficiadas por empréstimos questionados por auditoria do Tribunal de Contas de Santa Catarina (TCE-SC).

Lúcio Lambranho
Classificadas como “inconformidades”, as falhas na concessão de empréstimos pela Agência de Fomento do Estado de Santa Catarina S.A. (Badesc) resultaram em prejuízos de “risco acentuado”, segundo o Tribunal de Contas de Santa Catarina (TCE). Como revelou o Farol em sua última edição, os problemas narrados na auditoria são semelhantes aos relatos de funcionários submetidos ao assédio moral no banco em caso sob investigação do Ministério Público do Trabalho (MPT). As principais “deficiências” apontadas em cada contrato também coincidem com os relatos dos servidores ouvidos pelo MPT. O fato de que empréstimos eram liberados mesmo contrariando normas técnicas. Em dois dos dez casos analisados pela auditoria foi emitido parecer desfavorável pela liberação do dinheiro ou pela “inviabilidade da operação”.
   No primeiro deles, a Tecelagem Kuehnrich S.A conseguiu o financiamento de mais de R$ 5 milhões em agosto de 2001 (veja abaixo cada um dos casos relatados pela auditoria). “Consta no processo extenso parecer técnico concluindo pela inviabilidade da operação, apontando a situação econômica e financeira desfavorável da empresa. No entanto, ainda assim, sem apresentar justificativa técnicas, a concessão do financiamento foi aprovada”, afirmam os auditores. No segundo caso, a beneficiária foi a Saibrita Mineração e Construção Ltda. Foram R$ 6,5 milhões liberados em fevereiro também de 2001. “A concessão do crédito foi aprovada pela Diretoria do BADESC mesmo havendo parecer desfavorável à concessão do crédito pelo Comitê de Crédito. Conforme a deliberação de 13/02/2001, a operação estava em desacordo com o item “c” da Resolução Dicol no 45/00, pois o endividamento da empresa junto ao BADESC ultrapassava 2 (duas) vezes o faturamento médio mensal dos últimos 12 (doze) meses”, diz a auditoria do processo (RLA – 16/00189943).
   Em recuperação judicial desde outubro de 2012, a Teka, fabricante de artigos de cama, mesa e banho, buscou na Justiça a readequação do seu passivo à sua capacidade de geração de caixa. Em 2012, a empresa acumulava um passivo a descoberto de R$ 780,9 milhões e informava ter feito “esforços expressivos na adequação de suas estruturas de custos fixos e variáveis, a fim de adequá-los às suas condições econômico-financeiras”. Há cinco anos, a Teka também já tinha fechado a fábrica de cobertores de Itapira (SP) e demitiu os 800 funcionários.

Leia a reportagem completa no FAROL

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